Ciência
I&D em Ciências Médicas e da Saúde
A qualidade das instituições do sistema científico e tecnológico português tem sido reconhecida nos processos de avaliação independentes levados a cabo em anos recentes por painéis de peritos nacionais e internacionais.
Na área das Ciências da Saúde, em particular, os resultados da avaliação das Unidades de I&D (excepto Laboratórios Associados) divulgados pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), referentes ao período 2003-2006, revelam que das 38 Unidades avaliadas, 19 foram classificadas com Excelente ou Muito Bom.
Já no tocante aos Laboratórios Associados cuja área científica principal são as Ciências da Saúde, todos os 5 Laboratórios avaliados em 2002-2004 foram classificados com Excelente. Refira-se que destes 5 Laboratórios, 4 integram o HCP: CNC - Centro de Neurociências e Biologia Celular; IBMC - Instituto de Biologia Molecular e Celular; IMM - Instituto de Medicina Molecular; IPATIMUP - Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto.
O financiamento concedido pela FCT às Unidades de I&D e aos Laboratórios Associados na área das Ciências Médicas e da Saúde, entre 2003 e 2007, ultrapassou os 44 milhões de euros, passando de 3,5 milhões, em 2003, para 14,2 milhões de euros, em 2007.
O número de projectos de I&D nas áreas das Ciências da Saúde e da Investigação Clínica apoiados pela FCT nos concursos de 2006 e 2007, respectivamente, ultrapassou os 230.
Os projectos repartem-se pelas seguintes áreas:
Ciências da Saúde (169 projectos), incluindo
- Biomateriais e Engenharia Biomédica (19 projectos)
- Neurociências (26 projectos)
- Epidemiologia, Saúde Pública e Ambiente (23 projectos)
- Microbiologia, Infecção, Imunologia e Inflamação (29 projectos)
- Farmacologia e Ciências Farmacêuticas (23 projectos)
- Oncobiologia e Biologia do Desenvolvimento (17 projectos)
- Genética Médica e Genómica Funcional (17 projectos)
- Órgãos e Sistemas, Metabolismo, Nutrição e Toxicologia (15 projectos)
- Investigação Clínica (63 projectos)
Em termos globais, cerca de 42% dos projectos foram classificados com Excelente e os restantes 58% com Muito Bom, tendo o financiamento global concedido atingido valores próximos dos 31 milhões de euros.
Produção científica
De acordo com dados oficiais (GPEARI/MCTES), a produção científica portuguesa na área das Ciências Biológicas e das Ciências Médicas e da Saúde (inclui Medicina Básica, Medicina Clínica, Ciências da Saúde e Outras Ciências Médicas) registou uma vigorosa tendência de crescimento entre 1990 e 2010.
Nota: Apuramento do número de publicações efectuado pelo método de contagem fraccionada.
(Saiba mais em www.gpeari.mctes.pt)
O crescimento do número de publicações foi transversal a diversas sub-áreas – incluindo Medicina Clínica, Biologia & Bioquímica, Biologia Molecular & Genética, Neurociências & Comportamento, Farmacologia & Toxicologia, e Imunologia – sendo acompanhado igualmente por um forte aumento do número de citações colhidas e dos respectivos impactos, conforme revelam os dados referentes aos quinquénios 1990-94 a 2006-10. Destaque-se, em particular, o impacto de citação relativo da sub-área da Medicina Clínica, cujo valor (calculado pela divisão do "Impacto de citação de todas as publicações" pelo "Impacto mundial da área") se mantém acima da média mundial desde o quinquénio 2001-05, tendo atingido um máximo no quinquénio 2004-08.
(Saiba mais em www.gpeari.mctes.pt)
Em concordância com os dados oficiais apresentados acima, um estudo de benchmarking da responsabilidade da Evaluametrics / Dr. Grant Lewison revela que a produção científica portuguesa na área da biomedicina, apesar de ser ainda relativamente baixa face a outros países/regiões, está, desde há longos anos, em franco e ininterrupto crescimento.
Com efeito, o número de publicações (contagem global de artigos + reviews) de Portugal cresceu, entre 1998 e 2007, a uma taxa média anual de 10,8%, um valor mais de três vezes superior à média mundial (que é de 3,3%), e acima de países como a Grécia (10,6%), a República Checa (8,3%), a Irlanda (7,6%), e da região sueco-dinamarquesa do Medicon Valley (2,6%).

De acordo com a mesma fonte, as publicações portuguesas na área da biomedicina têm também reunido um número crescente de citações. Para os artigos publicados entre 1998 e 2003, o valor médio de citações por artigo (contabilizado nos cinco anos subsequentes à data de publicação) atingiu os 10,3. Este valor é ainda inferior ao conseguido pela região do Medicon Valley e pela Irlanda, mas superior ao de países como a República Checa e a Grécia.

Um outro parâmetro que poderá ser considerado, em certa medida, como indicador da qualidade das publicações portuguesas na área da biomedicina é o da percentagem de artigos em co-autoria com grupos de investigação de países tidos como referenciais nesta área. Neste particular, refira-se a percentagem relativamente elevada, quando comparada com outros países/regiões, de artigos portugueses em co-autoria com cientistas dos EUA e do Reino Unido.


